434 mil temporários devem ser contratados até o fim do ano; demanda é puxada pela indústria

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Dados da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) e Caixa Econômica Federal mostram que devem ser abertas 434,4 mil vagas temporárias entre setembro e dezembro, nos setores da indústria, comércio e serviços, em decorrência do aumento das vendas para o Dia das Crianças, Natal e Ano Novo.

O crescimento deve ser de 10% em relação ao mesmo período de 2017, quando foram abertas 394,9 mil vagas. A alta, segundo a entidade, é puxada pela indústria, em especial dos segmentos farmacêutico, alimentar, químico e agroindustrial.

Em relação a 2016, o número previsto para contratações temporárias é 22% maior. Mas é distante do registrado em 2014, quando 490.435 vagas foram abertas, antes de a crise econômica se intensificar e levar ao aumento da taxa de desemprego.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê a contratação de 72,7 mil trabalhadores temporários para o varejo, recuo de 1,7% em relação aos 73,9 mil postos criados no ano passado.

De acordo com a CNC, a desaceleração da economia diante do cenário de incertezas do segundo semestre deverá levar ao crescimento menor das vendas no Natal, de 2,3%. Em 2017, a alta foi de 3,9% em relação a 2016.

A maior parte das vagas são para trabalhadores com nível médio de escolaridade.

Abertura de vagas temporárias nos três setores

Meses 2014 2015 2016 2017 2018 (previsão)
Setembro 112.193 93.283 69.632 104.189 114.608
Outubro 119.087 100.688 88.921 89.437 98.381
Novembro 124.121 90.004 87.735 103.868 114.255
Dezembro 135.034 108.920 109.034 97.441 107.185
Total 490.435 392.895 355.322 394.935 434.429
O trabalho temporário é considerado uma oportunidade de recolocação profissional mais rápida no mercado de trabalho formal, além de porta de entrada para o emprego efetivo. Para este ano, a previsão da Asserttem é que 8% dos temporários sejam efetivados no emprego. A associação não forneceu dados sobre efetivação de anos anteriores.

Para a CNC, a taxa de absorção dos trabalhadores temporários será de 19,8%, menor em relação a 2017, quando 23,1% dos contratados em regime temporário foram efetivados nos meses seguintes ao Natal, devido à lentidão da retomada econômica e das incertezas em relação às condições de consumo no início de 2019.

Contratações por setores

O Natal é a principal data para o comércio, e o pico de contratações temporárias no setor ocorre em novembro e dezembro. Já na indústria, as contratações são feitas principalmente em setembro, segundo a Asserttem. Veja os dados da entidade abaixo:

De setembro a novembro

  • Indústria – 65% das contratações (212.708 vagas)
  • Serviços – 20% (65.448 vagas)
  • Comércio – 15% (49.086 vagas)

Dezembro

  • Serviços – 45% (48.233 vagas)
  • Comércio – 30% (32.155 vagas)
  • Indústria – 25% (26.796 vagas)

Segundo a CNC, assim como nos Natais de 2015 a 2017, a temporada de contratações no comércio deverá se estender até o mês de dezembro. Antes da crise, mais de 20% das vagas eram preenchidas até outubro. Nos três últimos anos, esse percentual não passou dos 15%.

Os maiores volumes de contratação deverão se concentrar no segmento de vestuário (47,9 mil vagas), hiper e supermercados (11,5 mil vagas). Os segmentos são, segundo a CNC, os grandes empregadores do varejo, pois representam 42% da força de trabalho e respondem, em média, por 60% das vendas natalinas.

Em terceiro lugar no ranking de contratações está o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico (8,8 mil vagas). Os demais são móveis e eletrodomésticos (3 mil) e informática, comunicação, livrarias, papelarias, farmácias e perfumarias (1,4 mil).

Salários

A CNC prevê que o salário de admissão deverá alcançar R$ 1.230, registrando avanço de 3,9% na comparação com 2017. O maior salário de admissão deverá ocorrer no ramo de artigos farmacêuticos, perfumarias e cosméticos (R$ 1.500), seguido pelas lojas especializadas na venda de produtos de informática e comunicação (R$ 1.431). No entanto, esses segmentos deverão ofertar apenas 1,5% das vagas totais a serem criadas no varejo.

Ranking por estados

De acordo com a Asserttem, entre os estados com mais postos de trabalho temporário para o período São Paulo lidera o ranking, concentrando 67,27% das vagas estimadas para o fim do ano, ou seja, 292.230 mil vagas, ante 265.664 registradas em 2017.

Na sequência, aparece o Paraná, com 7,41% dos postos de trabalho, (32.172). Depois, o Rio de Janeiro, que deve ofertar 25.597 novas vagas, o que representa 5,89% no total previsto para o país. Todos registraram aumento em comparação com o mesmo período de 2017.

Ranking dos estados com mais vagas

Estado 2017 2018 (previsão) Participação
São Paulo 265.664 292.230 67,27%
Paraná 29.247 32.172 7,41%
Rio de Janeiro 23.270 25.597 5,89%
Amazonas 17.465 19.212 4,42%
Minas Gerais 14.845 16.330 3,76%

Nova lei ampliou prazo de contrato

Segundo a presidente da Asserttem, Michelle Karine, com a lei 6019/74, em vigor desde abril de 2017, houve um crescimento na geração dessa modalidade de vagas, já que foi ampliado o prazo do contrato temporário, de 90 para até 180 dias, podendo ser prorrogado por mais até 90 dias em caso de necessidade.

Michelle Karine explica que, em momentos de incerteza econômica, a contratação temporária representa uma alternativa viável às empresas, que precisam ter condições de atender à demanda aquecida, seja no comércio ou na indústria.

“Nesses momentos, fica difícil para as empresas investirem em despesas fixas, diante de receitas flutuantes. Nesse sentido, o trabalho temporário é o mais viável para atender à demanda de flexibilidade e de rápida mobilização de mão de obra. E esse tipo de admissão se destaca nesse contexto, pois é a única modalidade de contratação com prazo flexível na legislação trabalhista brasileira, atendendo às necessidades transitórias com maior eficiência”, afirma.

Direitos trabalhistas

O trabalhador temporário tem quase os mesmos direitos do efetivo, como remuneração equivalente, recebimento de horas extras de acordo com a categoria da empresa onde estiver prestando o trabalho, adicional por trabalho noturno, repouso semanal remunerado, férias proporcionais, 13º salário, FGTS e proteção previdenciária.

De acordo com Michelle, o registro é feito na página Anotações Gerais da Carteira de Trabalho, na condição de trabalhador temporário, e o contrato de trabalho deve ser feito por uma agência de trabalho temporário devidamente autorizada e registrada no Ministério do Trabalho.

Agência prevê aumento de 30%

A agência de empregos Luandre, uma das maiores do país, estima crescimento de 30% no número de vagas temporárias na comparação com 2017 para as áreas de indústria, logística e varejo, em razão das festas de fim de ano.

Segundo Fernando Medina, diretor de Operações da Luandre, com o aumento de produção na indústria, o setor de logística também é acionado. “Um terço das nossas vagas no momento são para estes setores e visam à chegada do Natal, que é a principal data comemorativa do ano em termos econômicos. Entre outubro e novembro, a entrada de vagas para o varejo é muito expressiva, esperamos 30% a mais que no restante do ano”, explica.

Segundo Medina, o trabalho temporário é muito vantajoso para empresa contratante, pois consegue adequar seu quadro de colaboradores às altas demandas, com uma resposta mais rápida. “Para o profissional temporário também é interessante, pois estudos mostram que mais de 40% desses colaboradores que entram como temporários são efetivados pelas empresas, ou seja, é uma excelente porta de entrada”.

Veja dicas da presidente da Asserttem para ser efetivado no trabalho temporário

  • Tenha em mente que o trabalho não é um bico, pois trata-se de emprego formal e profissional;
  • Mantenha um bom relacionamento no ambiente de trabalho;
  • Mostre que você tem bastante experiência e que pode ajudar a empresa a crescer;
  • Seja comprometido.

Veja dicas para se destacar na seleção da vaga temporária

  • Cabe ao candidato saber se apresentar corretamente. Escreva tudo o que puder para se descrever da melhor maneira possível, com dados relevantes e que demonstrem por quê você é a pessoa indicada para a vaga;
  • A pretensão salarial é o tipo de pergunta que deixa muita gente sem resposta, já que não existe uma resposta padrão. O que existe é pesquisa. É preciso descobrir e pesquisar o quanto o mercado está oferecendo para vagas como a que você está concorrendo. Ao informar sua pretensão, deixe claro que está aberto a negociações;
  • Ao se candidatar a uma vaga, seja sincero em seu currículo e na entrevista, ao informar seus conhecimentos e competências. A sinceridade fará diferença durante o processo seletivo;
  • Por que devo escolher você? Esta é uma pergunta muito comum, mas que de modo geral sempre causa dúvidas e insegurança. Lembre-se que os demais candidatos devem ter o currículo muito parecido com o seu, então a resposta será certamente algo que não estará no seu currículo, mas que faz parte do que você é.

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Por Marta Cavallini, G1

Fonte: G1.globo.com